sábado, 15 de junho de 2013

Afinal, o que querem as mulheres?

Mulher

Esta é uma indagação muitas vezes feita pelos homens, mas que hoje em dia tem se tornado uma dúvida da indústria global de vinhos. Por observação, podemos dizer que querem qualidade, preço e, sem dúvida, atenção na hora que precisam de mais informações para decidir entre um vinho e outro.

Everton Silva, sommelier, conta que sente que as mulheres confiam mais na ficha técnica e informações passadas pelos especialistas a respeito dos rótulos oferecidos que os homens.

A atenção, a degustação e as informações acabam, certas vezes, por definir a compra. Mas será que as mulheres racionalizam de maneira diferente dos homens no ato da compra?

O que recentes estudos internacionais sobre este tema sugerem é que as mulheres, regra geral, compram mais vinho do que os homens. Na medida em que a qualidade de um vinho é desconhecida até o momento em que a garrafa é aberta, os seus atributos são, então, desconhecidos. Por isso, muitas vezes, os produtores utilizam certos recursos para cativar o público, nomeadamente rótulos mais exuberantes.

De fato, o rótulo de um vinho funciona com um elo entre a produção e o consumo, sendo um fator decisivo na hora de escolher um ou outro vinho. É deste modo que muitos novos produtores conseguem chamar a atenção do consumidor, utilizando cores mais chamativas e designs diferenciados em seus rótulos, além de recorrerem às designações especiais de qualidade (Reserva, Grande Reserva, Grande Escolha, Colheita Selecionada, Superior, etc.), que na prática não asseguram por si só a qualidade.

Quando o produto é desconhecido, é normal que a decisão de compra seja associada a um risco, por isso a preocupação com o custo-benefício.

Informações extras e dicas de terceiros acabam por contar na hora da escolha. Acredita-se, porém, que as mulheres sejam mais influenciadas pela imagem que os rótulos transmitem do que os homens.

Nesse sentido, medalhas e prêmios ostentados também podem vir a pesar na decisão desse público, confirmando o sentimento de Everton.

De um modo geral, as mulheres teriam uma preocupação maior com os riscos envolvidos na compra, inclusive financeiros, do que os homens. Uma característica típica feminina em todo o tipo de investimento, não apenas no que se trata de vinhos.

São muitos os estudos que surgem para balizar aquilo que sommeliers e enólogos observam no dia a dia.

A Wine Expectator, por exemplo, fez uma pesquisa sobre os hábitos de consumo de vinhos das mulheres. Os interessantes resultados foram que 46,2% das consumidoras buscam conselhos dos vendedores ao comprar vinho.

Muitas, cerca de 35%, afirmaram consultar revistas a respeito ou internet (26%). Algumas preferem confiar na opinião de amigos ou parentes (22%) e 15% delas costumam pedir a opinião do sommelier ou do garçom quando têm de escolher em restaurantes, por exemplo.

A Vinexpo, uma das maiores feiras de vinhos do mundo, divulgou recentemente o dado de que na Inglaterra oito em cada dez garrafas de vinho são compradas por mulheres.

Apesar de não existirem pesquisas sobre este tema no Brasil, tudo indica que a participação do público feminino na decisão de compra de um vinho tem vindo a se acentuar cada vez mais. Até porque as mulheres, regra geral, costumam ser mais comprometidas com os benefícios que o vinho traz para uma alimentação mais saudável, por exemplo.

Acredita-se que no Brasil o público feminino ainda não tenha superado o sexo oposto em termos de volume de compra de vinhos, contudo supõe-se que este número seja cada vez maior, para além de ser mais exigente na hora da escolha de um determinado rótulo, muitas vezes determinada pela relação qualidade/preço e conselhos de amigos e/ou familiares.

As mulheres estão, mais do que nunca, interessadas em consumir produtos que agreguem cultura, e o vinho deixou de ser meramente mais uma bebida alcoólica, e sim um estilo de vida.

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