segunda-feira, 3 de junho de 2013

A força feminina

"As mulheres estão cada vez mais presentes nos pontos de venda, em cursos e confrarias."

“Ele compra os vinhos para a nossa adega, mas eu compro vinho quando vou ao mercado, para beber com minhas amigas e em ocasiões especiais”, conta Victória Moreira, 28 anos.

Economista, noiva à beira do casório, bebe vinhos desde pequena, “com água e açúcar”, e sabe bem o que procura quando tem de escolher. “Escolho geralmente pelas uvas. Amo Malbec e Carménère. Mas também olho o custo-benefício. Não costumo passar dos R$ 30,00, nesses casos.” Outras características que Victória olha também são o produtor e o ano. “Quanto mais velho, melhor.

”Este é um perfil de mulheres que vem crescendo no Brasil, tomando conta dos cursos especializados, degustações e confrarias. Nos cursos da consultoria Viavitis, por exemplo, costuma-se notar um crescimento no número de mulheres, de todos os perfis e idades, buscando aprender mais sobre vinho de modo geral.

A indústria global de vinhos, por sua vez, começa a ficar de olho no poder de consumo feminino, com desenvolvimento de pesquisas especializadas, rótulos mais atraentes, entre outros artifícios que possam atrair, cada vez mais, este público para o mundo de Baco.

Uma pesquisa realizada na Nova Zelândia relaciona o fato de as mulheres terem se tornado responsáveis pela escolha do vinho ao fato de serem também as responsáveis pelas compras de um modo geral.

Adquirem vinhos durante a sua rotina de compras de supermercado, ao contrário dos homens, que geralmente optam por adquirir seus vinhos em compras mais específicas, em lojas especializadas, como foi o caso relatado pela economista Victória.

Segundo o sommelier Everton Silva, consultor de vinhos no empório paulista Ville du Vin, o número de mulheres e homens nos eventos da casa é equilibrado, porém ele observa que, na hora de presentear, normalmente quem escolhe são as mulheres.

“A maioria dos compradores ainda são os homens, mas vemos um aumento do interesse do público feminino, tanto para consumo próprio quanto para presentear. Algumas entram e já sabem o que querem, outras perguntam detalhes antes de escolher.”

Everton comenta que ainda é grande a procura por vinhos rosados, espumantes e demi-sec. “Porém é notável que está sendo deixada para trás a ideia de que as mulheres não gostam de vinhos encorpados e adstringentes”, completa.

Por Inês Cruz e Amanda Voltolini

Nenhum comentário: